Historicamente, nesta época do ano, os preços do leite tendem a aumentar, tornando-se interessante o uso de sucedâneos lácteos (substitutos do leite, leite em pó) como alternativa para baratear os custos de criação da bezerra.

Hoje, abordaremos alguns parâmetros importantes a serem avaliados na escolha do sucedâneo lácteo a ser utilizado, sendo que a escolha não deve ser baseada somente no preço do produto.

Os sucedâneos podem ser uma ótima opção para dieta líquida de bezerros pois garantem constância na composição e qualidade, trazem independência do bezerreiro quanto aos horários de alimentação, além de permitirem manipulação do teor de sólidos da dieta líquida.

Na escolha de um sucedâneo, a formulação é o fator mais importante, devendo ser considerados não só os teores, mas também as fontes de proteína, carboidrato e gordura digestível.

O desempenho e o crescimento do animal são determinados pelos teores de proteína e energia disponíveis na dieta, além do volume de fornecimento. Quanto maior o volume fornecido, maior será o ganho de peso dos animais. No entanto, animais em crescimento acelerado têm um maior aumento na exigência em proteína do que em energia. Dessa forma, animais em aleitamento intensivo precisam receber sucedâneos com maiores teores de proteína. Assim, devem ser observadas as informações contidas nos rótulos para verificar as fontes e as quantidades de nutrientes disponíveis em cada produto, que deverá ser escolhido considerando-se o sistema de aleitamento. Da mesma forma, as instruções de diluição devem ser analisadas juntamente às formas de manejo recomendados para o aleitamento.

É importante ressaltar que o produto deve ser de fácil diluição, sem empedramento, de cor clara e com odor agradável, de boa palatabilidade e semelhante ao leite.

A diluição do sucedâneo em água deve seguir a recomendação do fabricante, sendo recomendado valores entre 12,5 e 14,5% de sólidos.

As recomendações do NRC (2001) são de teores de proteína bruta (PB) entre 20-22%, de origem láctea ou não para sistemas de aleitamento convencional (4 litros por dia).  Nas três primeiras semanas de vida, as proteínas lácteas são mais indicadas por apresentarem aminoácidos essenciais e digestibilidade entre 87-98%. Os bezerros jovens não apresentam enzimas intestinais capazes de digerir fontes de proteína ou carboidratos de origem vegetal, o que só vai ocorrer a partir de 3 semanas de vida. Assim, após esse período, existe possibilidade de fornecimento de dieta líquida com maior inclusão de fontes de origem vegetal.

Os componentes lácteos do sucedâneo podem ser: o soro desidratado, soro desmineralizado e as proteínas concentradas do soro. Essas fontes não têm fatores anti-nutricionais (substâncias que agem negativamente no desenvolvimento), como ocorre com as fontes de proteína de origem vegetal.

Análises típicas dos ingredientes lácteos usados na produção de bons sucedâneos de leite:

Os sucedâneos não lácteos são produzidos com extratos de vegetais como a proteína e farinha de soja, proteína de trigo, farinha de ervilha. As fontes obtidas da soja possuem baixa digestibilidade, o que reduz a disponibilidade de aminoácidos, resultando em menor desempenho animal. Além disso, podem apresentar fatores anti-nutricionais, que muitas vezes resultam em diarreias e reações alérgicas no intestino de bezerros com menos de três semanas. Os produtos mais usados para substituírem as proteínas de origem láctea são as proteínas da soja concentrada e o glúten solúvel do trigo. No entanto, a proteína da soja concentrada possui deficiência dos aminoácidos metionina e lisina, enquanto o glúten de trigo tem deficiência de outros aminoácidos. Nesse caso, a adição de aminoácidos sintéticos é recomendada para que não haja redução no desempenho animal.

A lactose é a principal fonte de carboidratos de um sucedâneo de boa qualidade, devendo conter um mínimo de 36% da composição final do produto. O teor de lactose nem sempre consta do rótulo dos produtos, mas se constitui num indicador indireto do teor de ingredientes lácteos.

Os níveis de gordura dos sucedâneos encontrados no mercado variam de 10 a 24 %. No entanto o teor de gordura pura e simplesmente não tem grande significado, visto que as diversas fontes de gordura possuem digestibilidades diferentes. De uma forma geral, devemos preferir fontes de gordura com perfil de ácidos graxos de cadeias curtas e médias, as quais apresentam maior capacidade de emulsificação da gordura do leite, aumentando a digestibilidade. As fontes de lipídeos de maior digestibilidade são o óleo de coco e o óleo de palma, devendo ser evitado os óleos vegetais altamente insaturados (óleo de soja, óleo de milho e óleo de girassol).

Leite integral é demasiado gordo e estas altas taxas de gordura no leite de vaca altera facilmente a digestão da gordura, principalmente quando a pressão de infecção é elevada. Excesso de ingestão de gordura provoca diminuição no consumo de ração e atrasa o desenvolvimento do rúmen, afetando o desenvolvimento pós desmame, podendo causar problemas de acidose metabólicas no pós desmame como também causar diarreias.

Outro indicador importante para a escolha de um sucedâneo é o seu teor de fibras, pois as mesmas estão relacionadas à presença de fontes vegetais. As formulações comerciais com destinação a animais entre as primeiras três semanas de vida devem conter valores menores que 0,15% de fibra bruta.

Existem aditivos que podem complementar a formulação do sucedâneo e auxiliar principalmente na prevenção de doenças. No Brasil, são utilizados os anticoccidianos, probióticos, prebióticos e ácidos orgânicos, todos relacionados à manutenção da saúde intestinal dos animais.

O principal aditivo usado em nossos sucedâneos é o Neotec4, uma combinação de ácidos graxos essenciais, que melhoram o ambiente intestinal, o desenvolvimento de vilosidades e as secreções enzimáticas. Resulta em melhor digestão, maior ganho de peso, desenvolvimento corporal e eficiência alimentar.

Cuidados básicos no preparo de sucedâneos de leite, usar sempre água de boa qualidade, pois mais de 88% da mistura é água.

Instruções para se preparar corretamente um sucedâneo:

Para obter o máximo de desempenho em suas bezerras faça um bom programa de aleitamento:

Devemos também ter preferência por produtos pré-acidificados, os quais facilitam a digestão no abomaso e auxiliam no controle de doenças das bezerras. A utilização de promotores de crescimento é uma opção interessante, indicada principalmente em situações com maior desafio sanitário.

A qualidade do sucedâneo também pode ser avaliada grosseiramente através da coloração e textura do produto ainda na forma seca, devendo este ter cor clara (creme ou ligeiramente amarelada), bem como não apresentar aglomerados ou outras partículas grosseiras.

Entretanto, o teste mais rápido e objetivo para avaliar a qualidade de um sucedâneo lácteo é a chamada prova da diluição com água morna. Um bom produto deve ser rapidamente dissolvido, sem apresentar pelotas que ficam suspensos ou mesmo partículas que sedimentam. Portanto, quanto mais rapidamente se consegue dissolver o produto na água morna (máx 55 o C), melhor é a sua qualidade. Em seguida a diluição total do produto na água, devemos observar se há ou não sedimentação do produto no fundo do recipiente e em caso positivo, qual a proporção que sedimenta. Quanto maior a proporção de material sedimentado, maior a presença de ingredientes não lácteos e consequentemente pior a qualidade do produto.

Em nosso país temos diversas opções de sucedâneos de leite para bezerras. Infelizmente a grande maioria utiliza proporções exageradas de ingredientes vegetais, resultando em produtos pouco indicados para uso. O produtor deve estar consciente que os produtos cujos preços são muito inferiores aos de outros sucedâneos de boa reputação, são na realidade misturas que contém pouco ou quase nenhum ingrediente lácteo, sendo constituído basicamente de produtos de origem vegetal (farelos protéicos e cereais finamente moídos).

Nutrição, manejo e saúde durante a fase de pré-desmame têm uma influência duradoura no desempenho ao longo da vida. A largada é o primeiro passo para atingir a idade ideal ao primeiro parto, mantendo as taxas de crescimento e aumentando a produção de leite. A linha NURTURE® de sucedâneos de leite para bezerras incorpora novas tecnologias de ingredientes para melhorar as características físicas e o desempenho animal

O uso de sucedâneos de leite para bezerras traz muito mais vantagens do que alimenta-las com o leite da fazenda:

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