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Processo de Amostragem, onde tudo começa!

O ano é 2021 e cada vez mais estamos adentrando no universo da nutrição de precisão. Por isso, é imprescindível tomar decisões baseados em dados. Para isso, temos as análises laboratoriais como grande aliado do produtor e nutricionista na rotina do dia a dia.

Essas análises ajudam a conhecer melhor os fornecedores dos insumos, ajustar as dietas e reduzir custos no ecossistema da produção animal, bem como garantir a qualidade do alimento que está sendo produzido. Para isso um controle de qualidade que englobe a cadeia de fornecedores através de validações e monitoramentos é um aliado importantíssimo nesse processo. Afinal, garantir o que entra, nos da plena capacidade de confiar no que sai, desde que os processos internos estejam bem alinhados e funcionado organicamente.

Atualmente temos uma variedade de métodos analíticos que nos ajudam nessa tomada de decisão que vão desde análises bromatológicas/nutricionais como umidade, proteína bruta, gordura e fibras, até análises enzimáticas como tripsinas, digestibilidades e análises de qualidade como acidez, rancidez e peróxido. Essas últimas também são chamadas de análises de descargas, pois muito tem a dizer sobre a matéria prima no ato do recebimento ou consumo pelo cliente/produtor. Vejam que são análises conceitualmente diferentes, mas que juntas podem trazer informações valiosas.

Para tanto, clientes e laboratórios que dispõem desses serviços contribuem imensamente na cadeia, e para que essa contribuição seja relevante, é preciso que os laboratórios estejam engajados com a qualidade dos seus serviços buscando constantemente o aperfeiçoamento dos seus processos através de validações metodológicas, uso de cartas controles que comprovem a qualidade dos métodos no dia a dia, participações em ensaios de proficiência (interlaboratoriais), procedimentos padronizados, treinamento dos colaboradores, etc. Entretanto, em nosso cenário atual, nenhuma organização, processo ou aplicação consegue crescer e/ou manter o padrão se não tiver a participação e contribuição efetiva de todos nesse processo.

Sabemos que as análises são os meios pelo qual avaliamos um produto, mas de nada adianta ter os métodos se não tivermos as amostras e indo além, de nada adianta ter amostras se não forem representativos e que realmente reproduzem a realidade de todo aquele lote recebido pela fábrica. Quando vemos um resultado, precisamos entender que ele não é só o resultado de uma única etapa, mas da contribuição de um todo, e sabendo dessa criticidade no padrão de coleta de amostras, vamos desmiuçar esse processo e entender como podemos no dia a dia representar melhor o ingrediente que está sendo recebido.

Os planos de amostragem são necessários para garantir a correta utilização dos processos empregados ao controle de qualidade dos alimentos verificando assim a conformidade com um padrão pré-estabelecido, porém nenhum plano é responsável por garantir essa conformidade, e sim ajudar na qualidade da amostra coletada para aumento na confiança do resultado gerado  (CODEX – CAC/GL 50-2004).

Podemos dizer que a amostragem é uma parte crítica de qualquer programa de garantia de qualidade. As etapas envolvidas na coleta de uma amostra representativa incluem seguir um esquema de amostragem; coletar amostra suficiente para garantir que seja representativa; usar o equipamento e procedimento de amostragem correto; inspecionar a amostra quanto às suas características sensoriais; reduzir a amostra e prepará-la para envio, retenção ou ambos; incorporar a amostragem em um método estruturado para receber ingredientes; amostrar ração acabada; e usar a amostragem como uma ferramenta para ajudar a diagnosticar problemas de saúde animal (HERMANN, 2001).

Conceitos

Objetivos

Impactos (Ex: Micotoxinas)

            Aflatoxinas

Pontos de Atenção

Instrumentos limpos – contaminação cruzada / pontos de coleta / representatividade

Instrumentos limpos – contaminação cruzada / segregação de partículas

Níveis esperados / unidade de medidas corretas

Segregação de partículas

Temperatura e Ambiente controlado / Contaminação Cruzada

Após o envio e recebimento das amostras, a mesmas seguem os procedimentos padrões do laboratório que em uma sequência lógica passam por:

  1. Cadastro das amostras no sistema integrado;
  2. Preparo de amostras (homogeneização e moagem);
  3. Pesagem;
  4. Processo analítico;
  5. Inserção dos resultados no sistema integrado;
  6. Avaliação dos resultados;
  7. Envios dos certificados de análise.

E para salientar a importância de uma coleta bem feita, chamamos atenção para um dos processos citados acima: Pesagem.

Notem pela figura 1, que uma amostra coletada no campo se torna uma pequena fração para sequência das análises de acordo com os métodos referências, logo, essa fração é a responsável por revelar os resultados impressos nos certificados. Levando isso em consideração precisamos impacto de cada processo dessa cadeia no todo. Frente a isso, precisamos nos ater que a amostragem é o primeiro passo de um excelente resultado entregue no laudo final.

Os impactos oriundos do processo de amostragem podem trazer erros na visão da realidade e nos levar a decisões incorretas, portanto devemos ter nossas atenções voltadas para garantir essa representatividade.

Outro aliado na manutenção do controle de qualidade, é sempre manter as amostras originalmente coletadas em contra prova interna, já que as mesmas contribuem na visualização de aspectos físicos e sensoriais, bem como em avaliações que sejam necessárias ao passar do tempo, além de ser um backup frente a algum desvio desconhecido que venha acontecer nesse processo. A contra prova é o princípio básico a ser seguido quando queremos garantir a rastreabilidade, qualidade e segurança daquilo que produzimos.

Já dizia o ilustre professor William E. Deming que “não se gerencia o que não se mede”, assim como o pai da administração, Peter Druker, que falava que “não se gerencia o que não se pode medir”. Estas duas citações nos remetem ao fato que uma sólida gestão de um processo tem como base medir indicadores que possam representar a realidade, assim é importante reforçar a preocupação não só de medir, mas também de medir bem, conforme citado por Klein (2014), que diz que “um processo mal medido é mal gerenciado e um processo com alta variabilidade em relação ao padrão estabelecido não é de qualidade”. Portanto, nosso grande desafio na gestão da qualidade nas fazendas e fábricas de rações será não só garantir um padrão de qualidade, mas também sua baixa variabilidade. Diante desse cenário, as análises laboratoriais nos servem como sólidos indicadores, desde que seja feita uma boa amostragem.

A criticidade dessas etapas citadas acima existe e é comprovada, e para isso, a Nutron, marca de Nutrição Animal da Cargill, conta com serviços e consultores altamente tecnificados nesse suporte que contribuirão muito nas melhorias necessárias para o crescimento orgânico do seu negócio.

Referências Bibliográficas

  1. Codex Alimentarius, General Guidelines on Sampling, CAC/GL 50-2004

http://www.fao.org/uploads/media/Codex_2004_sampling_CAC_GL_50.pdf [1]

  1. Esbensen, K. H., and Ramsey, C. A., QC of Sampling Processes – A First Overview: From Field to Test Portion, JAOAC, 2015, Vol. 98, No. 2, 282-287
  2. WHITAKER, T.B. et al. Variability associated with sampling, sample preparation, and chemically testing for aflatoxin in farmers’ stock peanuts. Journal of AOAC International, v.77, n.1, p.107-116, jan./fev. 1994. Disponível em: <http://www.bae.ncsu.edu/usda/www/researchpaperstbw.htm [2]>.
  3. HERMANN, T. Sampling: Procedures for Feed. Kansas State University Agricultural Experiment Station and Cooperative Extension Service, MF-2036. Disponível em: <https://bookstore.ksre.ksu.edu/pubs/MF2036.pdf [3]>
  4. KLEIN, A. A. Gerenciamento da Fábrica de Rações. Porto Alegre: Agropec Consultoria Ltda, 2014. Disponível em: <https://pt.engormix.com/avicultura/artigos/gerenciamento-fabrica-racoes-t38610.htm [4]>
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