A creche é considerada uma fase de muitos desafios não apenas para os leitões, mas também para o produtor, sobretudo por demandar muitas decisões que influenciam o desempenho dos leitões e na rentabilidade do sistema produtivo. Um dos pontos mais relevantes desta fase de criação é conhecer bem os objetivos de produção e adequar os investimentos necessários para atingi-los. De forma geral, os programas de creche contemplam três a quatro fases nutricionais, sendo a última fase o período de maior custo, devido ao fato de o consumo de ração do animal ser maior. Neste sentido, a presente revisão tem o objetivo de analisar alguns aspectos nutricionais que impactam nesse período mais oneroso.

No final de creche, os leitões respondem fortemente ao nível nutricional que lhes é fornecido (Figura 1). Quando se preconiza a produção de leitões com menor custo por quilo produzido ou maior velocidade de crescimento para maior retorno sobre o investimento, esse ajuste de níveis é de suma importância na tomada de decisão.

 

Figura 1. Resposta do peso vivo aos diferentes níveis de lisina digestível na fase final de creche (Fonte: Experimento CPNA Cargill, 2016)

 

Estratégias para maior ganho de peso dos Leitões

Já tem sido amplamente estudado que leitões que ganham mais peso na fase de creche tendem a apresentar maior ganho de peso ao abate. Neste sentido, trabalhar com maiores níveis nutricionais na última fase de creche é uma excelente alternativa, principalmente quando se trabalha com suíno terminado. Nesses casos, o retorno sobre o investimento justifica adotar essa estratégia, uma vez que, ao alojar leitões mais pesados, temos mais chances de aproveitar o chamado “fator multiplicador”, onde cada quilograma de peso na saída de creche pode gerar cerca de 2,5kg a mais no final da terminação, com o mesmo investimento.

Da mesma forma que observamos uma resposta positiva do peso dos leitões, quando aumentamos os níveis nutricionais, observamos comportamento similar com a conversão alimentar (Figura 2). Esse comportamento, no entanto, deve ser avaliado de forma cautelosa, pois investimento reduzido nos níveis nutricionais não necessariamente significam menor custo por kg produzido. Ferramentas de predição como o TechPig, desenvolvido pela Nutron, permite estimar o desempenho zootécnico e os índices de rentabilidade na fase final de creche, podendo auxiliar de forma mais assertiva no alcance dos objetivos.

Figura 2. Resposta da conversão alimentar aos diferentes níveis de lisina digestível na fase final de creche (Fonte: Experimento CPNA Cargill, 2016)

Em resumo, é importante dizer que ambos os cenários, de rápido crescimento ou crescimento moderado, trazem desempenho superior e rentabilidade positiva à fase de creche. O principal driver para a escolha da melhor estratégia a ser utilizada é o objetivo de produção. Quando os objetivos são bem definidos, temos a certeza de muito sucesso na produção de leitões, com o melhor desempenho e ótima rentabilidade.

 

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