Quando o assunto é qualidade de ingrediente, dentro de uma fábrica de rações, temos que ter em mente a seguinte regra: “qualidade não se melhora, se mantém”. Usando esta regra como base para todo o processo, nossa função é a de gerir todos os aspectos que poderão influenciar na perda ou variação de nutrientes do produto final. Estes processos poderão ir desde a seleção de um fornecedor de ingredientes até na manutenção e ajustes dos equipamentos, que podem trazer resultados muitos significativos no padrão almejado para o produto final.

A seleção de fornecedores que garantam integridade da matéria-prima, ausência de contaminantes e padronização física e qualitativa dos ingredientes é o primeiro quesito para estabelecer padrões que visam amenizar as variações dos nutrientes finais de uma ração/concentrado. Dentro do processo de identificação e validação destes padrões de qualidade, um ponto que sempre deve ser observado é a coleta de amostras que representem fielmente o produto que será avaliado. Se houver falha neste ponto, o processo como um todo estará comprometido.

Na recepção das matérias-primas devem ser tomados cuidados de validação dos ingredientes mediante alguns padrões pré-estabelecidos. Como algumas análises laboratoriais podem ser demoradas, alguns procedimentos de controle e classificação rápidos podem ser adotados. Como exemplo: comparações visuais podem ser utilizadas, trazendo grande significância no processo de simplificação de controles.

Cuidados com rotas de produtos, residuais de equipamentos e variações nas dosagens deverão ser considerados, visto que, em muitas situações, não existem monitoramentos e gestões da eficiência destes processos. Todo roteiro de inspeção/supervisão deverá contemplar não somente as etapas de fabricação, mas também toda a garantia de que não ocorreram erros durante o processo ou ações indesejáveis.

Os processos de moagem e mistura são muitas vezes menosprezados quando falamos em variações de nutrientes. No entanto, a moagem mal executada pode trazer não exatamente a variação de nutrientes, mas a variação no aproveitamento destes pelos animais, comprometendo o resultado de produtividade, além de interferir nos resultados também da mistura e peletização da ração.

Manter a qualidade e reduzir as possibilidades de variação dos nutrientes no produto final é um processo de certa forma simples de ser alcançado. Pode-se perceber que a maior dificuldade – talvez pela confiança no sistema ou até mesmo pela transformação do trabalho em rotina – é monitorar e garantir a eficiência do trabalho que é realizado dentro da indústria de fabricação de rações. Um gerenciamento e monitoramento de todo o processo pode garantir que ações corretivas e até mesmo o resultado final seja realmente o que estamos buscando.

Como a variabilidade de Nutrientes afeta o resultado das rações no campo?

Ao contrário do que se imagina, os resultados são mais consistentes quando um fabricante de ração altera os ingredientes e não altera a composição nutricional do que quando mantem a fórmula da ração e não atualiza a composição nutricional dos ingredientes. As vacas leiteiras precisam de fornecimento consistente de nutrientes ao longo do tempo e não de fornecimento consistente de ingredientes.

É comum a crença de que rações comerciais devam ter a sua composição baseada em milho e farelo de soja com valores elevados de proteína. Na verdade, esta é uma visão retrógrada e atrasada da nutrição de vacas leiteiras, baseada em experiências negativas quando as condições de volumosos e o conhecimento da nutrição ainda eram pequenos. Temos experiências da substituição completa do farelo de soja e milho em dietas sem que haja queda alguma na produção das vacas. É importante ressaltar que esta troca foi estudada conhecendo-se o requerimento das vacas, assim como a composição dos volumosos, medindo-se o impacto econômico da mesma.

Acreditamos que existe um grande espaço de melhoria na formulação de rações comerciais onde os produtores e técnicos passem a exigir informações como o conteúdo de proteína bruta aliada a proteína degradável e não degradável no rúmen ou energia aliada a carboidratos não fibrosos e amido. Ao invés disso, ainda temos a compra das rações comerciais baseadas na proteína bruta ou coloração da ração ou se a mesma contém ou não ureia, tudo muito focado em ingredientes.

Existem inúmeros trabalhos mostrando que a troca de milho por polpa cítrica ou casca de soja em situações de volumosos ricos em amido/dietas ricas em amido pode ser benéfica para melhorar o consumo de alimentos, a composição e a produção de leite. Todo este trabalho depende de um profundo conhecimento da composição nutricional dos volumosos utilizados pelos produtores que compram as rações comerciais. Neste sentido, as indústrias de rações que possuem laboratórios de análises de alimentos têm uma grande vantagem competitiva, pois conseguem determinar com maior precisão quais são as necessidades de seus clientes.

Por fim, as fórmulas de rações comerciais devem ser o resultado da correta interpretação do conteúdo nutricional dos volumosos das fazendas leiteiras e da correta indicação da ração para cada propriedade leiteira, ou seja, o conjunto de ciência e assistência técnica.

Considerações Finais

Como verificamos no decorrer deste artigo, a variabilidade dos nutrientes dos ingredientes marcadamente afeta o resultado das fábricas de rações. A Cargill Nutrição Animal – Nutron possui uma série de serviços que atuam em várias frentes com o objetivo de diminuir o impacto negativo desta variabilidade: suporte em processo e boas práticas de fabricação, projeto Fórmula One, Cargill Nutrition System, entre outros. Isso demonstra o compromisso da empresa em prosperar junto com os clientes através de soluções inovadoras.

 

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