Tenho recebido desde o início de março excelentes notícias sobre a recuperação dos preços do leite tanto no mercado brasileiro quanto no mercado global. Com esta expectativa de mercado aquecido, aproveito para deixar a minha contribuição para que você possa produzir mais leite e com mais lucro no ano de 2019. As minhas três dicas para produzir mais leite são as seguintes:

  • Separe as vacas 21 dias antes do parto (pré-parto) e 21 dias depois do parto (pós-parto);
  • Estabeleça práticas de manejo para garantir saúde e bem-estar das vacas leiteiras;
  • Formule dietas para maximizar a Receita Menos o Custo da Alimentação (RMCA).

Separar as Vacas em pré e pós-parto

Definir a separação dos animais em grupos diferentes na fase de transição (pré e pós-parto) porque ela é o ponto chave no processo. De nada adianta formular dietas elaboradas respeitando todos os parâmetros de nutrição se não existe a concepção de que estes grupos são diferentes, que exigem cuidados especiais. A separação não precisa ser física, pois nem todas as propriedades leiteiras tem número suficiente de vacas que possibilitem a formação de grupos distintos. A separação pode ser na percepção e cuidado das vacas leiteiras, simplesmente sabendo quais são os animais em pré e pós-parto e o que deve ser feito para eles serem mais eficientes e produtivos dentro do plantel.

Por que é importante oferecer tratamento especial durante pré e pós-parto?

  1. Porque o sucesso na saúde, reprodução e produção de leite em toda a lactação é definido pelo sucesso nestas duas fases;
  2. Porque o requerimento nutricional é diferente nestas duas fases;
  3. Porque a regulação de consumo de alimentos é totalmente diferente das demais fases.

Na tabela abaixo podemos observar claramente o que foi exposto acima. Animais que foram mantidos juntos no pré-parto foram divididos em dois grupos após o parto: um grupo foi mantido separado, em grupo chamado pós-parto, e o outro grupo foi mantido junto com o lote de alta produção. Após a quarta semana, todos os grupos voltam a ficar juntos no lote de alta produção. A análise destas informações contempla o efeito da separação em grupos distintos e o fornecimento de dietas diferentes. O resultado mostra claramente efeitos positivos em aumento de consumo e produção de leite, que não se mantém apenas no pós-parto, mas em toda a lactação (como é exemplificado na avaliação entre 4 e 7 semanas).

producao-de-leite

Então, o tratamento diferenciado dos animais nesta fase é “ponto chave” para o aumento na produção de leite.

Estabelecer práticas de manejo para reforçar saúde e bem-estar

Parece óbvio reforçar, mas todo e qualquer esforço direcionado para manter ou melhorar a saúde e bem-estar das vacas leiteiras vai resultar em aumento na produção de leite.

O tópico anterior, que é a separação dos animais em grupos de pré e pós-parto, já é o primeiro passo para melhorar a saúde do rebanho. Animais que apresentam desafios ao sistema imune deixam de usar nutrientes que poderiam estar disponíveis para aumentar a produção de leite e usam para combater enfermidades como mastite, metrite, cetose, entre outros.

Vou usar um exemplo simples que reforça o bem-estar animal: espaço de cocho adequado. Se o espaço no cocho for limitado, os animais terão alguma restrição para ingerir alimento. Se os animais tiverem menor ingestão de alimento, sobretudo, no terço inicial de lactação, maiores serão as chances de ter performance reprodutiva reduzida, depressão no sistema imune e menor produção de leite. O mesmo é válido para dimensionamento de camas em free stall, densidade de animais e qualidade de cama em compost barn, conforto térmico das instalações, entre outros. O conforto dos animais melhora a eficiência de uso de nutrientes, resultando em melhor performance ou menor custo de produção de leite.

Fazendo uma analogia com seres humanos, quando as empresas contratam novos funcionários, elas usualmente pedem uma avaliação médica dos mesmos. Desta forma, buscando maximizar a produção de leite de seus animais, contrate um médico veterinário de sua confiança e peça para ele montar um plano de ação para melhorar a saúde do seu rebanho. Além disso, consulte um profissional das Ciências Agrárias para fazer um checkup de suas instalações e práticas de manejo visando a correção e eliminação daquelas práticas que estejam limitando o potencial produtivo de seus animais.

Formular para maximizar a RMCA

A Receita Menos o Custo da Alimentação (RMCA) é a receita da venda do leite menos o custo da alimentação dos lotes em produção de leite. É a RMCA que ajuda a pagar todos os custos da propriedade e de onde vem o lucro da operação leiteira.

Existem várias estratégias que podem ser usadas no momento de formular dietas:

  • Formular para menor custo de produção de leite, ou seja, gastar menos R$ para produzir o mesmo volume de leite;
  • Formular para menor fluxo de caixa, ou seja, procurando usar os alimentos disponíveis na propriedade mesmo que eles não resultem na dieta mais barata;
  • Formular para maior RMCA, ou seja, qual a dieta que vai resultar no maior retorno financeiro para a propriedade.

É importante reforçar que todas estas estratégias são válidas e que dependem do momento pelo qual cada propriedade está passando. Inclusive, é possível que, em algum momento, algumas destas estratégias aconteçam concomitantemente.

Na tabela abaixo, consideramos duas dietas hipotéticas, aonde a segunda é mais cara por animal e por litro de leite produzido que a primeira. No entanto, a segunda dieta deixa R$2,25 a mais por vaca do que a primeira. Num rebanho de 50 vacas, isso representa mais R$40 mil ao ano, um valor substancial para qualquer família que vive da atividade leiteira.

 

 

Exemplos Custo da dieta (R$/animal/dia) Produção (L/animal/dia) Receita do leite (R$/animal/dia) RMCA (R$/animal/dia)
Dieta 1 18,00 30 37,50 19,50
Dieta 2 20,00 33 41,75 21,75

 

São várias as oportunidades disponíveis para maximizar o RMCA, como a escolha dos ingredientes baseado no seu valor nutricional e não apenas no custo por unidade de peso. O valor nutricional se refere a inclusão de um ingrediente baseado nos nutrientes mais limitantes na dieta e não se ele custa mais caro ou barato que milho e soja, ou baseado em crenças ou mitos regionais. Existem vários aditivos que são altamente recomendados para uso na dieta de vacas leiteiras e que trazem ótimo retorno sobre o investimento.

Considerações Finais

A Cargill Nutrição Animal tem um modelo nutricional específico para a fase da transição e uma série de produtos que são recomendados para esta fase (Máxima K2 Pré-Aniônico e Máxima K2 POS). Na parte de conforto bem-estar animal, existem as tecnologias ICE e Nutritek, que se unem as tecnologias Nutrigordura Lac, SoyPass BR e Máxima Litro Tamponado como excelentes alternativas para maximizar o RMCA de fazendas leiteiras.

 

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