É inegável que o setor de produção avícola brasileiro passa por momento de grandes mudanças. Os principais direcionadores estão pavimentados pelas crescentes opiniões do mercado consumidor, a respeito das práticas de bem-estar animal, do uso racional de antibióticos, da segurança alimentar, dos aspectos de sustentabilidade e dos padrões éticos de atuação do setor. Por parte da indústria avícola, sempre há um temor quanto às dimensões dos impactos da redução dos antibióticos na produção de frangos de corte, principalmente no aumento dos custos de produção, na redução da rentabilidade da operação, na redução do desempenho das aves e no aumento da variabilidade dos lotes abatidos.  Entretanto, muitas empresas, em vários países, têm tido boas experiências na produção de frangos de corte sem antibióticos melhoradores de desempenho e com reduções expressivas em seu uso terapêutico, obtendo ganhos zootécnicos similares ou melhores do que aqueles obtidos através das práticas anteriores, com o uso de antibióticos.

As crescentes restrições ao uso de antibióticos em dietas animais, na forma de melhoradores de desempenho e via água, na forma terapêutica, são uma realidade em 100% da indústria avícola europeia, desde janeiro de 2006. Atualmente, esta tendência tem chegado em outros países que produzem frangos de corte, como por exemplo os Estados Unidos, onde os números consolidados demonstram que em torno de 51% dos frangos produzidos no ano de 2018 não foram suplementados com antibióticos promotores de crescimento.

Van Boeckel et al. (2019) demonstraram o aumento da resistência antimicrobiana em animais, com base em extensas revisões da literatura, publicadas nos últimos 20 anos. Os autores relataram um aumento no número de cepas bacterianas resistentes aos antibióticos, isto ocorrendo em aves e suínos. Dentro deste contexto, é importante ressaltar que o portfólio de antibióticos usados na produção da proteína animal está se esgotando rapidamente, com importantes consequências negativas para a saúde animal, para a rentabilidade da agroindústria e, potencialmente, para a saúde humana, devido à resistência cruzada dos antibióticos utilizados em humanos.

O uso destes medicamentos, na produção de proteínas de origem animal, tem sido associado por cientistas da área da medicina humana às infecções bacterianas resistentes aos antibióticos utilizados em humanos. A maior preocupação reside naqueles criticamente importantes, os CIA (Critical Important Antibiotics), que são de uso compartilhado entre humanos e animais. O uso destes princípios ativos na produção animal, de forma contínua, indiscriminada e muitas vezes para suprir deficiências operacionais, tem possibilitado o aparecimento de bactérias resistentes aos medicamentos, ou “superbactérias”, que não se limitam aos animais, podendo se multiplicar e se espalhar para a população humana por meio das proteínas de origem animal, dos trabalhadores agrícolas, do  ar, do solo e da água.

Desde o ano de 2008 o conceito “One Health”, criado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), e ratificado pelo Escritório Internacional de Epizootias (OIE) e pelas Organizações das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), tem se preocupado em estabelecer estratégias conjuntas, com o objetivo de reduzir os riscos emergenciais e a disseminação de doenças infecciosas resultantes da interface entre animais, humanos e ecossistemas. O conceito “One Health” pressupõe que a saúde das pessoas esteja relacionada à saúde dos animais e que ambas populações podem afetar o ambiente em que coexistem e que também podem ser afetadas por este mesmo ambiente.

As mais recentes pesquisas sobre o nível de consciência dos consumidores a respeito dos alimentos, merecem ser consideradas em toda a cadeia de produção de proteínas de origem animal. De uma maneira geral, os consumidores estão mais conscientes a respeito de como os animais são criados, através de protocolos adequados de bem-estar animal e do quê se alimentam, tanto quanto sobre as práticas de sustentabilidade e quais padrões éticos em que as empresas relacionadas à produção de alimentos estão operando.

Em uma pesquisa recente (janeiro de 2020) realizada no Brasil, pela Millennium Research, à pedido da Delacon Biotechnik, entrevistando 507 milênios, com idades entre 29 e 38 anos de idade e clientes de supermercados, mostrou que os brasileiros têm uma alta consciência sobre o consumo de alimentos, muito mais do que os americanos e os tailandeses entrevistados, anteriormente, pela mesma agência. No Brasil, 85% dessa geração se preocupa com a qualidade e a origem de seus alimentos.

Dentro deste contexto, além de todos os cuidados já dispensados pela indústria avícola na produção das aves, é importante que tenha consciência sobre a importância da saúde intestinal dos animais para manter ou melhorar os parâmetros zootécnicos dos frangos de corte produzidos sem o uso de antibióticos no alimento ou a redução de terapias através da água de bebida. Com esta necessidade, as pesquisas deverão continuar gerando informações sobre os principais fatores que devem estar em equilíbrio no intestino para que as aves possam digerir e absorver os alimentos de forma otimizada, além de gerar produtividade e rentabilidade para a indústria avícola. A ciência deve entender os mecanismos pelos quais a sucessão bacteriana ocorre no trato gastrintestinal, em coordenação com o hospedeiro, se quiser identificar alternativas livres de antibióticos para modular a microbiota, prevenir enfermidades e melhorar o desempenho das aves.

Para isso, é importante compreender e manejar de forma adequada a integridade intestinal, dando atenção, basicamente, para 4 funções primordiais e suas interpelações no intestino, que são:

  • É hospedeiro de uma microbiota comensal, que controla o crescimento de bactérias patogênicas, bem como otimiza a digestão e a absorção dos nutrientes da dieta.

 

  • Por ser o maior tecido imunológico do organismo das aves, é onde existe a maior concentração de células inflamatórias encarregadas de controlar a principal via de contato com os agentes infecciosos e parasitários nas aves, mediando respostas inflamatórias e controlando as infecções.

 

  • É uma barreira física que, em associação com o tecido imunológico da mucosa intestinal, atua contra as infecções, impedindo a aderência de microrganismos e a translocação de bactérias para a via sistêmica.
  • Através de suas estruturas celulares diferenciadas (enterócitos, células enteroendócrinas e caliciformes), é responsável pela digestão final e absorção dos nutrientes da dieta. Quanto mais íntegra for sua estrutura, maior será a absorção dos nutrientes, indisponibilizando substratos para bactérias patogénicas.

Com isto, é de extrema importância que a indústria avícola, através de seus técnicos, tenha uma abordagem holística a respeito dos principais fatores críticos envolvidos na promoção da saúde e da integridade intestinal das aves. Estes aspectos devem ser controlados com maior rigor e praticados com excelência, desde as reprodutoras, passando pelos processos de incubação e chegando nas granjas de frangos de corte onde, além de todas as boas práticas de manejo, é fundamental um programa estrito de biosseguridade. Além disto, a nutrição deverá obrigatoriamente ser considerada, dando atenção a produção de dietas com alta qualidade microbiológica e nutricional, usando ingredientes com alta digestibilidade, produzidas em fábricas que respeitem todas as boas práticas de fabricação.

Para a promoção da saúde intestinal em frangos de corte, aditivos alternativos aos antibióticos têm sido um aliado importante nessa abordagem holística da melhoria do processo de produção. Por definição da Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA, 2003), aditivos nutricionais são produtos utilizados na nutrição animal com o objetivo de melhorar a qualidade da dieta e a qualidade dos alimentos de origem animal, ou melhorar o desempenho e a saúde dos animais. Os principais aditivos alternativos aos antibióticos, atualmente utilizados na alimentação de frangos de corte são os probióticos, os prebióticos, os ácidos graxos de cadeia média, os ácidos orgânicos, as leveduras e os óleos essenciais.

Os Aditivos Fitogênicos têm desempenhado um papel de destaque neste cenário de produtos alternativos aos antibióticos melhoradores de desempenho, devido ao seu apelo em ser produtos totalmente naturais, extraídos de distintas fontes vegetais. Isto é bem recebido pelo mercado consumidor, que prefere alimentos que com um apelo mais natural.

Estes aditivos fitogênicos compõem um universo muito além de apenas os óleos essenciais, sendo que as outras classes de compostos são representadas pelos flavonóides, taninos, substâncias pungentes, substâncias amargas, saponinas e mucilagens. Estas diferentes classes, quando combinadas em um único produto, oferecem mecanismos de ação distintos e diversos benefícios, tais como ações antiinflamatórias, manutenção da microbiota intestinal benéfica, ações antiparasitárias, efeitos antioxidantes, melhoria da digestibilidade das dietas, entre outros.

Neste cenário de redução do uso de antibióticos e a necessidade de maior eficiência do sistema de produção avícola, contando com um melhor e mais ágil gerenciamento da atividade, o advento da Indústria 4.0 ou Quarta Revolução Industrial poderá trazer um benefício enorme para este setor. Ela poderá proporcionar um melhor controle e aproveitamento dos principais e mais custosos insumos utilizados na produção avícola (dietas e seus aditivos, energia elétrica e água, entre outros), além de melhorias nas atividades industriais de processamento de carnes, na logística de distribuição de seus produtos e nos processos de rastreabilidade. Todos estes avanços proporcionarão maior confiança da sociedade, no que diz respeito à segurança alimentar.

Hoje, a tecnologia que vem avançando na avicultura é o uso de sensores, sendo prática comum em granjas de frangos a conexão dos mesmos à internet onde, através de centrais de monitoramento ou até mesmo por smartfones, é possível monitorar e gerenciar a granja à distância, alterando parâmetros de temperatura ambiente, controle de umidade, amônia, velocidade do ar, intensidade de luz, consumo de alimento e água e temperatura de água.

A rápida adoção destas novas tecnologias, a implementação de estritas práticas de biosseguridade, a qualidade de manejo em toda a cadeia de produção avícola, aliadas a um programa bem posicionado de aditivos naturais alternativos aos antibióticos melhoradores de desempenho, serão pontos relevantes para proporcionar a rentabilidade desejada pela indústria avícola nesta nova fase de produção de frangos de corte, de forma mais natural e com menor utilização de antibióticos.

 

Sobre a Nutron

A Nutron, marca de nutrição animal da Cargill no Brasil, é especialista e líder em soluções inovadoras de produção animal, por meio de desenvolvimento de núcleos, premixes e especialidades para os segmentos de aves, suínos, peixes, pets, bovinos de leite e de corte, além de suplementos para criação de gado a pasto. Há mais de 20 anos, a marca sempre atuou próxima ao produtor para atender sua demanda com conveniência, qualidade e segurança, contribuindo com a prosperidade nos negócios de cada cliente. A companhia também promove ações socioambientais nas comunidades onde está inserida, pois considera ser seu dever atuar de maneira responsável para o desenvolvimento e crescimento sustentável de toda a cadeia produtiva do agronegócio. www.nutron.com.br.

Sobre a Cargill

Os 160 mil funcionários em 70 países trabalham para atingir o propósito de nutrir o mundo de maneira segura, responsável e sustentável. Todos os dias, conectamos agricultores com mercados, clientes com ingredientes e pessoas e animais com os alimentos que precisam para prosperar. Unimos 154 anos de experiência com novas tecnologias e insights para sermos um parceiro confiável aos clientes dos setores de alimentos, agricultura, financeiro e industrial em mais de 125 países. Lado a lado, estamos construindo um futuro mais forte e sustentável para a agricultura. No Brasil desde 1965, somos uma das maiores indústrias de alimentos do País. Com sede em São Paulo (SP), estamos presentes em 17 Estados brasileiros por meio de unidades industriais e escritórios em 147 municípios e 11 mil funcionários. Para mais informações, visite www.cargill.com e a central de notícias.

 

 

 

 

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