Nunca foi uma tarefa fácil entregar o melhor alimento e as melhores fontes de nutrientes aos animais, principalmente quando a busca por melhores índices de produtividade e de desempenho são variáveis importantes nas fábricas de ração e nas granjas de produção avícola. Como já foi abordado no artigo de qualidade de mistura, sabe-se que entre o alimento formulado e o alimentado ofertado há muitos fatores que podem impactar a correta distribuição dos nutrientes. Neste artigo abordaremos o processo de moagem.

Na indústria da nutrição animal, a moagem é uma etapa crítica, normalmente aplicada em grãos, com a finalidade de diminuir o tamanho das partículas do alimento, através da aplicação de forças de compressão, de impacto e de abrasão, trazendo benfeitorias não só em indicadores fabris, mas também em indicadores zootécnicos. Na indústria, é possível encontrar moinhos de rolos, discos, facas e martelos (comumente mais encontrado no Brasil), onde cada um desses equipamentos pode apresentar um objetivo distinto:

Moinho de Rolos – Normalmente utilizado na moagem de cereais. É capaz de fornecer uma moagem uniforme.

Moinho de Facas e Martelos – O resultado da moagem é de produtos mais finos do que aqueles submetidos ao moinho de rolos.

Moinho de Discos – São menores e capazes de proporcionar uma moagem mais fina. Normalmente tem uma dificuldade moderada para ajustá-lo.

Além do colocado acima, é importante frisar que esses equipamentos, com o passar do tempo e do uso, sofrem desgaste. Portanto, é recomendado considerar alguns métodos analíticos que contribuam para a avaliação dessas alterações e ajudem a evitar perdas de produtividade e aumento de consumo de energia elétrica nas fábricas de ração. Normalmente, o método empregado para avaliar os moinhos é o Diâmetro Geométrico Médio (DGM) que já traz consigo o Desvio Padrão Geométrico (DPG). Este método apresenta informações relevantes, como o tamanho médio das partículas, desvio padrão do tamanho das partículas e as proporções em cada uma das peneiras usadas para a sua determinação.

É importante ressaltar que a qualidade da moagem pode interferir na digestibilidade dos alimentos, facilitando ou não a ação das enzimas digestivas. Tendo em vista a importância deste tema, técnicos do Labtron (Laboratório de Nutrição Animal), da Cargill, conduziram uma avaliação sobre a variação da moagem e da dispersão proteica em uma mistura, proposital, de milho em grão (teor de proteína bruta de 7,5%) e de farelo de soja (teor de proteína bruta de 44%).

A avaliação foi conduzida usando 4 amostras (250g cada) de diferentes lotes, sendo elas coletadas pós processo de moagem conjunta. Estas amostras foram separadas em porções de 100g, para análise de DGM via Granucalc (Embrapa). Nas frações retidas em cada uma das peneiras, usadas para determinar o DGM, foram indicados os teores de proteína bruta, usando o método Dumas.

Na tabela abaixo, é possível observar os percentuais de retenção em cada uma das peneiras e a uniformidade dos mesmos, nos diferentes lotes. Com estes dados, foi possível calcular os DGM e os Desvios Padrões Geométricos (DPG) das quatro amostras. Como era esperado, pelos resultados de retenção nas peneiras, os DGM e os DPG foram muito próximos.

Parâmetro Lote 1 Lote 2 Lote 3 Lote 4
DGM 677 654 685 699
DPG 1.78 1.88 1.77 1.73
ABNT5 (%) 0.06 0.08 0.14 0.12
ABNT10 (%) 1.22 1.48 1.26 1.12
ABNT16 (%) 14.02 14.67 14.51 14.93
ABNT30 (%) 48.04 45.28 46.78 48.06
ABNT50 (%) 27.58 25.31 29.95 29.55
ABNT100 (%) 9.03 13.04 7.18 6.2
ABNT FUNDO (%) 0.04 0.14 0.17 0.02

 

Na tabela abaixo, é possível verificar as diferenças dos teores de proteína bruta (%) nas misturas retidas pelas diferentes peneiras.

Avaliação Protéica (PB %)
ABNT5 (4000 micra) Retenção insuficiente para análise
ABNT10 (2000 micra) 13,6
ABNT16 (1190 micra) 18,0
ABNT30 (590 micra) 24,6
ABNT50 (297 micra) 25,6
ABNT100 (149 micra) 20,3
ABNT FUNDO 16,9
AMOSTRA COMPLETA 23,0

 

De acordo com os resultados, é possível observar que acima de 2000 micra, o teor de proteína bruta foi muito menor (13,6%) do que o valor da amostra completa (23,0%). Isto é uma demonstração que nesta peneira a retenção de milho (partículas maiores) foi maior do que a retenção de farelo de soja (partículas menores). A partir da peneira de 1190 micra, até a peneira de 297 micra, à medida que os tamanhos das partículas foram diminuindo, os teores de proteína bruta foram aumentando (mais farelo de soja e menos milho). Estes resultados mostram que a moagem, quando conjunta, favorece a segregação do milho grão e do farelo de soja, fazendo com que diferentes tamanhos de partículas apresentem valores diferentes de proteína bruta. Esta mesma segregação poderá ocorrer nos comedouros, onde os frangos consumirão dietas distintas, no mesmo ambiente, só dependendo de quando estarão comendo e o que estará disponível. Esta variação poderá ter impactos negativos na conversão alimentar, no ganho de peso e, quem sabe, no resultado econômico do lote produzido. Assim, estes dados estimulam a seguir avaliando os benefícios ou não da proposta de moagem conjunta para dietas de frangos de corte.

Os efeitos dos diferentes tamanhos de partículas por muitos anos já vêm sendo evidenciado, como mostra o trabalho abaixo. Nele, os autores mostraram que a moagem mais fina comprometeu os resultados zootécnicos e econômicos dos frangos.

 

moagem

 

Tendo em vista a criticidade dos fatores abordados acima, A Nutron, marca da Cargill Nutrição Animal, conta com uma equipe de especialistas em processos fabris, nutrição e análises laboratoriais para garantir o máximo de eficiência dos processos de produção de alimentos, de frangos, tratando todos os processos de forma racional e sustentável.

 

 

Referência Bibliográfica

HAMILTON, R.M.G.; PROUDFOOT, F.G. Ingredient particle size and feed texture: effects on the performance of broiler chickens. Animal Feed Science Technology. v.51, p.203-210, 1995.

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